Confronto e tensão na COP30: manifestantes indígenas rompem barreiras e exigem voz na cúpula

Protesto indígena invade área principal da COP30 em Belém, gera confronto com seguranças e reacende debate sobre exclusão nas decisões climáticas

MANIFESTACAO

O que deveria ser um dos momentos mais simbólicos da luta global pelo clima acabou marcado por cenas de tensão e confronto. Na noite de 11 de novembro de 2025, durante a COP30, em Belém (PA), manifestantes — em sua maioria indígenas e ativistas ambientais — romperam barreiras de segurança e invadiram parcialmente a entrada principal do centro de convenções onde acontece o evento.

As imagens, rapidamente compartilhadas nas redes sociais, mostraram grupos levantando cartazes com frases como “Nossa terra não está à venda” e “We can’t eat money”. Segundo relatos, os manifestantes exigiam acesso ao ambiente das negociações, afirmando que a conferência, embora sediada no coração da Amazônia, excluiu os povos que mais sofrem com os impactos da destruição ambiental.

A ação começou por volta das 19h10, quando cerca de cem pessoas ultrapassaram o bloqueio da chamada “zona azul”, área restrita a delegações oficiais da ONU. Houve empurra-empurra e breve confronto com os seguranças — dois deles ficaram feridos sem gravidade, e parte da estrutura de entrada foi danificada.

A ONU e a organização local da COP30 informaram que os protocolos de segurança foram acionados e que as atividades prosseguem normalmente. Ainda assim, o episódio acendeu um debate dentro e fora do evento: afinal, até que ponto os discursos sobre inclusão e representatividade climática correspondem à prática?

Para as lideranças indígenas, o protesto foi um grito de alerta. Elas afirmam que, mesmo com o compromisso público do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de valorizar a Amazônia e os povos originários, a COP tem priorizado empresários, governos e corporações, relegando os guardiões da floresta a um papel simbólico.

A COP30, que segue até o dia 21 de novembro, é a primeira realizada na Amazônia e foi anunciada como um marco histórico. Mas o episódio de Belém deixa claro que a luta ambiental vai muito além dos discursos diplomáticos — ela acontece, sobretudo, nas vozes e na resistência de quem vive a floresta todos os dias.

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