O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deixou expirar o ultimato imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, que exigia sua renúncia e saída imediata do país até 28 de novembro de 2025. A operação, revelada por diferentes fontes ligadas às duas administrações, começou com uma ligação de aproximadamente 15 minutos entre os líderes em 21 de novembro.
Na chamada, Trump ofereceu salvo-conduto a Maduro, sua esposa Cilia Flores e seu filho, desde que o presidente venezuelano renunciasse e deixasse o território nacional sem contestação. Maduro, entretanto, teria recusado e apresentado suas próprias condições: anistia ampla, retirada de sanções norte-americanas, encerramento de processos internacionais — incluindo ações no Tribunal Penal Internacional — e uma transição política que ainda o manteria conectado ao comando das Forças Armadas.
Com o fim do prazo, os Estados Unidos intensificaram a pressão. Entre as medidas mais recentes está o fechamento do espaço aéreo venezuelano para aeronaves norte-americanas e ações militares no Caribe que ampliam o clima de tensão. Washington também tem reforçado sanções e acusações contra figuras influentes do governo, enquanto oferece recompensas por informações que levem à prisão de aliados próximos de Maduro.
Do lado venezuelano, a reação veio em tom de resistência. Maduro convocou apoiadores em Caracas e classificou o ultimato como tentativa de submissão. Em pronunciamentos públicos, rejeitou o que chamou de “paz de escravos” e reafirmou a soberania nacional diante da pressão dos EUA.
O episódio aprofunda um cenário que já vinha se deteriorando. A Venezuela enfrenta uma crise interna marcada por eleições contestadas, dificuldades econômicas severas e crescente isolamento internacional. Agora, soma-se a isso o risco de escalada militar — seja por intervenção formal dos EUA, seja por incidentes no Caribe que possam ganhar dimensão imprevisível.
A situação afeta não apenas a Venezuela e os Estados Unidos, mas toda a América Latina. Uma ruptura abrupta em Caracas poderia ampliar fluxos migratórios, gerar instabilidade diplomática e impactar relações comerciais de países vizinhos, como o Brasil. Para a região, o momento é de vigilância e cautela.
Com o ultimato ignorado e nenhuma solução à vista, o impasse coloca Washington e Caracas em uma rota de colisão diplomática. Resta observar se o embate evoluirá para novas sanções, negociações indiretas ou ações mais contundentes — todas com potencial de alterar o equilíbrio político do continente.



