A Seleção Brasileira encerrou sua temporada de 2025 com um empate por 1 a 1 contra a Tunísia, nesta terça-feira (18/11), no Estádio Pierre-Mauroy, em Lille (França). O resultado, por si só, revela mais do que uma simples partida amistosa: expõe tanto os avanços quanto as lacunas da equipe de Carlo Ancelotti, às vésperas de decisões importantes rumo à Copa do Mundo.
A Tunísia abriu o placar aos 23 minutos do primeiro tempo, com gol de Hazem Mastouri, em uma transição rápida que pegou o Brasil desprevenido. O sistema defensivo brasileiro, embora repleto de talento, pareceu vulnerável ao ritmo mais ágil dos tunisianos. Após o gol, a Seleção entrou no jogo com mais urgência, buscando o controle do meio-campo.
A resposta veio ainda antes do intervalo: aos 44 minutos, Estêvão, jovem ponta de 18 anos, converteu um pênalti resultante de mão na bola dentro da área, igualando o marcador. A penalidade foi um prêmio justo pela persistência brasileira, ao mesmo tempo que evidenciou o protagonismo de Estêvão e sua crescente importância na construção ofensiva.
No segundo tempo, o Brasil teve chance real de virar. Lucas Paquetá arremessou para a virada em outra penalidade, mas isolou a bola por cima do travessão. Foi uma oportunidade desperdiçada com peso — não apenas para vencer o amistoso, mas para consolidar a confiança da torcida e da comissão técnica em momentos decisivos.
Vale destacar ainda a escalação brasileira: com Wesley ocupando a lateral-direita (em função da ausência de Gabriel Magalhães por lesão) e Éder Militão voltando à zaga ao lado de Marquinhos, o técnico Ancelotti buscou um equilíbrio entre juventude e experiência.
Apesar das intenções ofensivas, o time canarinho demonstrou certa inconstância. Segundo a Confederação Brasileira de Futebol, a Tunísia controlou partes do segundo tempo, e o Brasil encontrou dificuldades para criar jogadas com fluidez. Já o site Lance avaliou a atuação da Seleção como “discreta”, reforçando que a equipe não repetiu a vivacidade exibida em amistosos anteriores.
Do ponto de vista estratégico, este amistoso carrega peso simbólico. É o último teste de Ancelotti em 2025 — e, segundo a própria CBF, a equipe só voltará a campo em março de 2026, antes da convocação definitiva para a Copa do Mundo.  Além disso, a partida refletiu a aposta em renovação, com jovens como Estêvão se destacando, mas também deixou claro que a equipe ainda falha em momentos cruciais.
Para os torcedores — e para a comissão técnica —, o empate é um lembrete de que talento não basta: é preciso aproveitar as chances. O pênalti perdido por Paquetá, por exemplo, simboliza oportunidades que podem fazer falta em fases de mata-mata ou jogos decisivos. Por outro lado, a capacidade de reagir mesmo quando a partida parecia fora de alcance mostra resiliência.
Se por um lado o placar de 1 a 1 pode parecer modesto, ele abre um leque de reflexões mais profundas. Que Brasil é esse que se prepara para 2026? Uma mistura ambiciosa de velhos guardiões (como Marquinhos) e jovens promessas (como Estêvão), guiados por um técnico de prestige como Ancelotti — mas que ainda busca a química ideal para transformar amistosos em vitórias sólidas.
Em suma, o empate com a Tunísia fecha uma jornada de testes, ajustes e, sim, alerta: o Brasil segue em construção. Nem tão dominante para convencer, nem tão vulnerável para alarmar – mas definitivamente no meio do caminho, com olhos voltados para o próximo ano, onde cada decisão contará para a missão mais importante.



