TJRJ reverte bloqueios da Oi: desbloqueia conta e suspende indisponibilidade de ativos

O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) determinou nesta sexta (14) o desbloqueio da conta da Oi usada para repasses à V.tal e suspendeu a indisponibilidade de bens, em decisão da desembargadora Mônica Costa

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A situação da Oi ganhou um novo capítulo nesta semana, quando o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu suspender a indisponibilidade de ativos da companhia e determinou o desbloqueio de uma conta usada para repasses à V.tal. A decisão, assinada pela desembargadora Mônica Maria Costa, da 1ª Câmara de Direito Privado, foi proferida na sexta-feira (14) e valerá até a análise do mérito do recurso apresentado pela operadora.

A medida reverte parcialmente determinações anteriores da 7ª Vara Empresarial do Rio, conduzida pela juíza Simone Gastesi Chevrand, que havia promovido uma série de bloqueios para resguardar interesses de credores. Em meio ao agravamento da crise financeira, a magistrada decretou a falência da Oi no início de novembro, destacando sinais de insolvência e dificuldades para cumprimento do plano de recuperação.

A decisão do TJRJ, no entanto, restabelece a continuidade do processo de recuperação judicial e busca evitar uma liquidação abrupta. Entre os pontos considerados pela desembargadora está a importância da Oi no setor de telecomunicações e o potencial impacto de uma falência desordenada na prestação de serviços essenciais em todo o país.

O desbloqueio da conta destinada a pagamentos para a V.tal — empresa de infraestrutura e uma das principais credoras — permite que repasses previstos em plano previamente homologado sejam mantidos. A magistrada também suspendeu a indisponibilidade de recursos derivados da alienação de ativos, incluindo a participação da companhia na Nio, operação que já havia sido aprovada judicialmente.

Para o mercado, a decisão transmite um sinal duplo. De um lado, representa um alívio para a Oi, que precisa preservar fluxo de caixa e segurança operacional para continuar funcionando enquanto busca reestruturação. De outro, gera apreensão entre credores que defendem um processo mais rígido de liquidação para evitar novos prejuízos.

O caso envolve ainda a gestora Pimco, atual controladora, que deve prestar esclarecimentos após questionamentos levantados no âmbito do próprio tribunal. O TJRJ tem reforçado a necessidade de apurar responsabilidades e garantir transparência no processo.

Para o consumidor e para o país, a discussão vai além dos números. A Oi é peça relevante na infraestrutura de banda larga e telefonia fixa, atendendo milhões de brasileiros. Preservar sua operação, ao menos temporariamente, significa evitar riscos imediatos ao funcionamento de serviços que sustentam empresas, escolas, repartições públicas e a vida cotidiana.

Ao suspender bloqueios e garantir alguma estabilidade no curto prazo, o TJRJ tenta equilibrar interesses: proteger o sistema, preservar valor e evitar um colapso que teria reflexos muito além do setor econômico.

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